Educação, o Brasil tem sido Aprovado?

Written by on 14 de novembro de 2018

Educação é um processo para a vida toda. Enquanto a primeira educação, a familiar, molda comportamentos e ensina valores humanos e sociais, contribuindo para a formação moral, a educação “formal”, que acontece nas instituições de ensino, efetuada por professores profissionais nos diferentes níveis, da infância até a idade adulta, estimula o desenvolvimento das capacidades cognitivas e trabalha com o conhecimento.
Nas sociedades modernas, a educação é considerada um direito humano elementar e por isso costuma ser oferecida gratuitamente aos estudantes por parte do estado.
No Brasil, a Constituição Federal de 1988 coloca no seu artigo 205 que a educação é “direito de todos e dever do Estado e da família” e “será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Muito bonito o texto, abrangente no seu objetivo e satisfatório nos resultados pretendidos. Mas, passados 30 anos desde a promulgação da atual Constituição, como anda a educação pública no Brasil? Como o estado tem tratado a questão? Os brasileiros têm tido acesso a ela? Qual o nível de aprendizado de nossos estudantes? Já podemos vislumbrar uma sociedade brasileira mais bem desenvolvida desde então? Os nossos estudantes tem obtido sucesso nos seus estudos?
Se considerarmos os últimos anos, melhoramos muito em termos de investimentos financeiros. Hoje o Brasil investe 6% do Produto Interno Bruto (PIB), superior à média de países como Argentina, Chile, México e Estados Unidos. Porém, a maior fatia do dinheiro vai para as universidades, assim, a educação básica ainda não recebe a devida atenção do governo. Vale lembrar que temos sérios problemas de incompetência na gestão dos investimentos. Considerando que é na educação básica que se estruturam os conteúdos para um ensino de qualidade e que a leitura, a escrita, a matemática e os princípios das ciências são imprescindíveis para uma boa formação, então a maior parte dos recursos deveria ser aplicada no ensino fundamental e no ensino médio.
A universalização do ensino básico no Brasil aconteceu, mas sem a qualidade esperada. O acesso tem sido satisfatório, mas a permanência e o sucesso do estudante ainda não. Aliás, a evasão e a repetência têm índices preocupantes. No ensino médio, por exemplo, os iniciantes evadem mais de 11% e a repetência atinge mais de 15%. No ensino fundamental, 14% dos estudantes de sexto ano repetem o ano. Nossos estudantes têm sérias deficiências na leitura, na interpretação de texto e na redação. As operações matemáticas e a resolução de problemas não são assimiladas por um grande número de estudantes. Ainda é sofrível a aprendizagem do básico na educação básica.
É triste constatar que, na Avaliação Internacional de Desempenho Escolar (PISA), o nosso país ocupa as últimas posições. Dos 70 países avaliados em 2015, o Brasil ficou na 63ª posição em Ciências, na 59ª posição em leitura e na 66ª posição em matemática. Segundo o relatório, o problema do Brasil não está nos gastos, mas na necessidade de aprimoramento de políticas e processos educacionais.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) 2017, que mede a qualidade do aprendizado nacional, mostrou que o ensino médio no Brasil está longe de atingir a meta pretendida. Nenhum estado brasileiro atingiu a meta de 2017 e cinco estados registraram queda. A meta do país era 4,7, mas atingiu 3,8. O ensino fundamental tem uma situação um pouco melhor, os anos iniciais (1º ao 5º ano) superaram a meta de 5,5 atingindo 5,8; e os anos finais (6º ao 9º ano) atingiram 4,7 de uma meta de 5. Muitos especialistas atribuem a fragilidade dos resultados à formação do professor e à base curricular.
A Educação Profissional no Brasil aumentou suas matrículas, mas ainda não há sintonia entre a escola e mundo do trabalho. As rápidas transformações a partir das novas tecnologias e os novos perfis profissionais, que valorizam a criatividade e a capacidade de relacionar conhecimentos de forma interdisciplinar ainda são pouco valorizadas nos cursos de formação profissional. Assim, a qualificação para o trabalho fica comprometida.
O ensino no Brasil infelizmente ainda não é competente o suficiente para uma formação básica integral e não tem a qualidade suficiente para uma educação autônoma que prepare para a cidadania e também para o trabalho. Com isso perdem os estudantes, perdem as famílias, perde a sociedade, perde o país, pois, o desenvolvimento de uma nação também se faz com uma boa educação. Mas, a esperança nunca se cansa. Se há esperança virá a mudança!

Texto/Profª Lúcia Maria dos Santos



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