Muitas razões para cuidar do seu filho adolescente

Written by on 8 de novembro de 2018

Sempre escutamos que filhos pequenos requerem bastante do nosso tempo e da nossa energia. Quantas vezes sonhamos com o momento que eles cresçam, e se tornem adolescentes tornando-se independentes para assim, podermos ter uma vida mais livre e olharmos para nossas necessidades. Mas quando os filhos se tornam adolescentes, nos deparamos com a realidade de que eles também demandam bastante do nosso tempo e da nossa energia.
É bem verdade que a época da nossa adolescência, se é que nos lembramos dela, foi muito diferente da adolescência dos dias atuais. Os adolescentes de hoje são nativos digitais e estão conectados com meios poderosos que afetam a maneira como eles pensam e se relacionam, estão imersos na rapidez e fluidez da informação. Uma das principais influências tem se dado no aumento da ansiedade e depressão nos jovens de hoje, segundo estudos recentes. Por isso, mais do que nunca, os pais, educadores e profissionais da saúde devem preparar os jovens para pensar criticamente, exercitar a criatividade, e ajuda-los a desenvolverem habilidades sociais e emocionais.
Estudos apontam que há quatro mudanças neurais na adolescência: procura pelo novo, engajamento social, aumento da intensidade emocional e exploração criativa. Em outras palavras, ser adolescente é como ter o acelerador de uma Ferrari, mas com um freio de um fusca antigo.
O adolescente tende a ser impulsivo por natureza, e essa impulsividade está muito relacionada às mudanças e a necessidade de experimentar coisas novas. Ao mesmo tempo, eles são vulneráveis e emocionalmente instáveis.
Existe uma grande preocupação por parte dos pais que tem filhos adolescentes porque percebem que mudam repentinamente e tem comportamentos que causam estranhamento.
E claro, que embora as mudanças façam parte dessa etapa do desenvolvimento, o adolescente está exposto a situações e comportamentos de risco. Um grande número de transtornos mentais tem acometido os adolescentes ultimamente. A depressão e os transtornos de ansiedade estão cada vez mais presentes.
Como a depressão muitas vezes não é identificada pelos pais, porque normalmente os adolescentes passam boa parte do tempo trancados em seus quartos, ela não é tratada, o que pode levar o adolescente a se expor ainda mais, inclusive a situações de tentativa de suicídio e muitas vezes, uma tentativa ele pode ter êxito. Haja visto, o número crescente de suicídios entre os adolescentes e jovens.
Para os pais, no entanto, essa hipótese parece estar longe da sua casa, mas na verdade muitos são pegos de surpresa e se questionam pelo fato de não ter podido evitar uma tragédia como essa.
Recentemente, uma mãe me procurou preocupada com o filho que estava com alguns comportamentos estranhos, postava nas redes sociais sobre a morte de ídolos que se suicidaram, além de se fechar muito mais em seu mundo e sua única interação era com o celular.
A dificuldade de falar sobre o tema é grande, então elaboramos algumas sugestões na tentativa de ajuda-los, caso você perceba que esse é um tema que precisa se conversado com seus filhos.
Comece perguntando o que eles já sabem e o que pensam sobre o tema. Mostre curiosidade e pergunte como eles aprenderam sobre o tema. Isso mostra que você está interessado em ter uma conversa e não apenas dar a sua opinião pessoal.
Lembre-os de que o suicídio é permanente, não há como voltar atrás. As lutas da vida podem ser difíceis, mas mostre disposição para apoia-los quando enfrentarem dificuldades. Lembre-os que você os ama e está lá para eles.
Suicídio não é um ato heroico ou romântico. Apesar de ser algumas vezes retratado assim na televisão e nos filmes, ele é sempre uma tragédia.
Orientá-los que ao saber da dor e das dificuldades de outra pessoa elas podem incentiva-lo a buscar ajuda. É fundamental que, quando os jovens percebem que outro colega esteja passando por dificuldades, busquem ajudar de forma ativa. Incentive-os a conversar com um adulto de confiança, mesmo que estejam preocupados com o fato de seus amigos ficarem zangados com eles. Uma vez que o colega em dificuldades está se sentindo melhor, eles podem perceber que o apoio que receberam foi porque alguém se importava com eles.
Se você está preocupado com o fato de seu filho estar pensando em tentar o suicídio, pergunte-lhe diretamente, com a maior calma possível, se ele está tendo pensamentos sobre morte e até se já pensou em como poderia morrer.
De fato, reconhecer e falar sobre suicídio pode reduzir, em vez de aumentar, pensamentos suicidas. “Muitas pessoas que estão deprimidas ou tendo dificuldades podem consideram tirar suas próprias vidas.
Ouça atentamente e sem julgamento. O instinto de um pai é resolver o problema dos filhos quando eles estão magoados, mas muitas vezes, essas soluções envolvem dar conselhos e dizer a nossos filhos o que fazer. Lembre-se que, às vezes, nossos filhos precisam apenas ser escutados de forma ativa e não que resolvamos tudo naquele momento. Evite dizer ao seu filho que “tudo ficará bem”. Por mais que queiramos acreditar que seja verdade, no momento de crise, muitos adolescentes não conseguem ver que seus problemas vão se resolver. É mais importante estar curioso e ser atencioso em nossa escuta. “Você poderia me falar mais sobre isso?”
Lembre-os que eles não estão sozinhos. Pensamentos de morte podem produzir muitos sentimentos negativos, como vergonha e medo.
Procure ajuda profissional. Resista à tentação de apenas resolver isso em casa. Lembre-se de que quando nossos filhos estão tendo dificuldades, eles podem precisar de apoio além do que podemos oferecer. Não há problema em precisar de ajuda de vez em quando. Isso não faz de você um pai ruim. Isso faz de você um pai que ama seu filho.

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Um forte abraço,

Simoni Cavazzana
Psicóloga CRP 08/25691

Fonte: Disciplina Positiva Brasil: disciplinapositiva.com.br



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