Porque as crianças não se comportam como nos “bons e velhos tempos”

Written by on 3 de dezembro de 2018

Esta é uma pergunta que ouço com frequência por parte de pais e professores, sinto uma certa frustração quando eles percebem que as crianças de hoje não desenvolvem o mesmo tipo de responsabilidade e motivação das crianças de antigamente.
É muito comum a gente ouvir que tudo isso tem uma explicação, ou mesmo, um culpado por este problema, como por exemplo: os lares desfeitos, o excesso de TV, videogame, mães que trabalham fora, e outras hipóteses que se acredita ter contribuído para que as crianças tenham comportamentos inadequados. No entanto, nós sabemos que muitos pais e mães que trabalham fora, ou são solteiros, tem uma forma efetiva de educar e o fazem bem. Então, o que será que aconteceu?
Se pensarmos nas grandes mudanças que ocorreram ao longo dos últimos anos, podemos encontrar explicações para as diferenças das crianças de hoje.
A primeira grande mudança que podemos encontrar é que os adultos de hoje não são mais modelo de submissão e obediência. Os adultos esquecem que eles mesmos não agem da mesma forma que agiam antigamente. Antes, a mãe obedecia qualquer ordem do pai, ou ao menos dava a impressão de que o fazia, porque isso era culturalmente aceitável. Nos bons e velhos tempos, poucas pessoas questionavam a ideia de que a decisão do pai era definitiva. Naquela época havia muitos modelos de submissão. O pai obedecia ao chefe para não perder o emprego, as minorias aceitavam posições de submissão, mas que geravam grande perda de dignidade pessoal, o que hoje em dia já não acontece como antes, as minorias, tem exigido mais seus direitos de igualdade e dignidade.
Podemos entender então, que dessa forma, as crianças estão simplesmente seguindo os exemplos que observam ao seu redor. Elas também querem ser tratadas com dignidade e respeito.
Uma coisa importante para gente refletir é que igualdade não significa o mesmo. Por exemplo, quatro moedas de 25 centavos são muito diferentes de uma moeda de 1 real, apesar de terem o mesmo valor. Obviamente as crianças não merecem todos os direitos de quem tem mais experiência, habilidade e maturidade. No entanto, elas merecem ser tratadas com dignidade e respeito.
Outra grande mudança que podemos observar, é que na sociedade de hoje, as crianças têm menos oportunidades de aprender responsabilidade e motivação. As crianças deixaram de ser necessárias em casa como colaboradoras importantes para a sobrevivência econômica da família. Ao invés disso, elas recebem em excesso sem nenhum esforço de sua parte, tudo isso em nome do amor que os pais têm por elas, só que com isso elas deixam de desenvolver atitude responsável. Muitos pais e mães inclusive acreditam que devem proteger seus filhos de toda e qualquer decepção. Eles sempre os socorrem, são superprotetores, e isto tira dos filhos a oportunidade de desenvolver a confiança de lidar com os altos e baixos da vida.
Muitas vezes julgamos que as crianças não sabem fazer as coisas, que não podem contribuir, no entanto, elas precisam de treinar tais habilidades, e isso é muito importante, mas muitas vezes pelo estilo de vida corrido que levamos, acreditamos que é mais fácil fazermos por elas. Com isso nós privamos as crianças de oportunidades de serem aceitas e de sentirem que têm importância, que podem contribuir de maneira responsável.
Uma coisa que é importante da gente pensar é que as crianças não desenvolvem responsabilidade quando pais e professores são muito controladores, mas também não se tornam responsáveis quando pais e professores são permissivos. Crianças adquirem responsabilidade quando tem a oportunidade de aprender habilidades sociais e de vida valiosas para desenvolver em bom caráter quando existe um ambiente de gentileza, firmeza, dignidade e respeito.
Talvez você esteja se perguntando, então a gente não pode ser rígida mais e deve deixar a criança fazer o que ela quer? Não, não é isso! Quero enfatizar aqui que deixar de punir não significa deixar a criança fazer o que ela quer.
Mas nós precisamos oferecer oportunidade para que as crianças experimentem a responsabilidade em uma relação direta com os privilégios que elas desfrutam. Caso contrário, elas se tornaram apenas receptoras, dependentes, que sentem que a única maneira de sentir que são aceitas e que tem importância é manipulando as pessoas ao seu favor.
Algumas crianças desenvolvem a seguinte crença: “Não me sinto amado a não ser quando cuidam de mim”. Outras podem desenvolver a crença de que não devem tentar porque não conseguem. Ou ainda, de que não são boas o bastante. Porque não podem praticar competências que as ajudariam a se sentir capazes.
E quando estas crianças desenvolvem estas habilidades? Quando lhes é permitido trabalhar lado a lado com seus pais e professores, recebendo treinamento enquanto fazem as atividades e contribuem de maneira significativa para a família ou a escola.
Um benefício maravilhoso é que a maioria dos problemas de comportamento pode ser eliminada quando pais e professores aprendem maneiras efetivas de ajudar seus filhos e alunos a desenvolver habilidades saudáveis. E o mais importante: precisamos compreender que a cooperação baseada em respeito mútuo e responsabilidade compartilhada é mais eficiente que o controle autoritário.
Ou seja, elas terão liberdade, mas com ordem, terão escolhas limitadas, mostrando respeito por todos.
Para ilustrar vou dar um exemplo:
Quando pais e professores são rígidos, eles agem assim: “Essas são as regras que você deve seguir, e essa é a punição que você vai receber se descumprir as regras.
Quando pais e professores são permissivos agem desta forma: “Não existem regras. Tenho certeza que nós vamos nos amar e ser felizes, e você será capaz de fazer suas próprias regras no futuro”.
Quando eles utilizarem o que chamamos de disciplina positiva, ou seja, uma nova abordagem que é o caminho do meio entre a rigidez e a permissividade, eles agem desta forma: “Juntos vamos decidir as regras para o benefício comum. Também vamos pensar juntos nas soluções que nos ajudarão a resolver nossos problemas. No entanto, quando eu precisar usar o meu discernimento sem sua interferência, eu serei firme com gentileza e respeito”.
Acredito que agora com os exemplos foi possível perceber como pais e professores podem incluir as crianças em responsabilidades e assim desenvolver nelas mais responsabilidade e colaboração, utilizando o que a Disciplina Positiva nos apresenta como possibilidade. Espero que vocês pais e professores tenham gostado e possam colocar em prática algumas mudanças simples, mas eficazes que os ajudarão em casa e na escola.
Baseado em: Disciplina Positiva – Jane Nelsen
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Um forte abraço,

Simoni Cavazzana
Psicóloga CRP 08/25691



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