A terça-feira, 15 de setembro de 2026, tem um sentido especial para o cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida (SP), e para aqueles que acompanham a sua trajetória como pastor da Igreja Católica no Brasil. A data marca a celebração dos 40 anos de sua ordenação episcopal.
O aniversário, no entanto, não passou em branco. No dia 5 de agosto, aos pés da mãe Aparecida, o arcebispo celebrou este marco de quatro décadas dedicadas ao episcopado brasileiro e reuniu bispos, sacerdotes e milhares de fiéis em uma Missa de Ação de Graças realizada no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.
Em sua homilia, o cardeal reforçou o lema de que o episcopado “Na alegria do Senhor”, é essencialmente uma missão de serviço e acolhimento aos que sofrem, e não um privilégio. Segundo o cardeal, toda vocação nasce dessa iniciativa divina. “Antes de qualquer resposta nossa está o amor de Deus, antes do ministério está a vocação, antes do ofício está a graça.”
O cardeal reforçou ainda que a missão da Igreja é anunciar que Deus permanece próximo de seu povo e que Nossa Senhora continua caminhando com aqueles que recorrem à sua intercessão.

Um chamado à unidade
Em um texto escrito especialmente para a missa no Santuário, dia 5 de agosto, e depois publicado no VaticanNews, o arcebispo da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, cardeal Orani Tempesta, o descreveu como um irmão que vive intensamente o chamado à unidade. “Foram anos de trabalho incansável pela comunhão entre as Igrejas particulares do Brasil, pela aproximação entre a Conferência Nacional dos Bispos e as demais Conferências Episcopais da América Latina, e por uma Igreja sempre atenta aos sinais dos tempos”, reforçou dom Orani.
Dom Raymundo foi bispo auxiliar de Brasília de 1986 a 2004, quando foi nomeado arcebispo de Aparecida (SP). Seu período à frente da arquidiocese de Aparecida foi de 2004 a 2016. Neste tempo, o cardeal foi responsável por grandes obras estruturais na Basílica e por entronizar a imagem da Padroeira do Brasil em diversos países do mundo.
Contribuição à CNBB
Na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi secretário-geral, por dois mandatos, de 1995 a 1999, e de 1999 a 2003.
Foi membro da sua Comissão Episcopal de Pastoral para a Comunicação, Educação e Cultura; presidente do Conselho Fiscal, de 2003 a 2006; presidente da Comissão Episcopal da CNBB da Campanha para a Evangelização, de 2003 a 2006. Em 9 de maio de 2011, durante a 49ª reunião da CNBB, Assis foi eleito presidente da instituição pelos quatro anos seguintes (2011–2015).
Criação como cardeal
No dia 20 de outubro de 2010 foi anunciada a sua criação como cardeal pelo Papa Bento XVI, no consistório de 20 de novembro. Com a eleição de Dom Raymundo Damasceno, o Brasil passou a dispor de nove cardeais. Passou a usar o titulus de cardeal-presbítero da Imaculada em Tiburtino, do qual tomou posse no dia 3 de abril de 2011.
Como Cardeal, tomou parte no Conclave de 2013, que elegeu o jesuíta argentino Jorge Mario Bergoglio como Pontífice, conhecido como Papa Francisco. Participou também do último conclave que elegeu Leão XIV como papa da Igreja. Após tornar-se arcebispo emérito da arquidiocese de Aparecida, mudou-se para Brasília, sua diocese de origem, onde contribui nos trabalhos pastorais da Igreja Particular.
Por Willian Bonfim
CNBB
Foto de capa: Registro realizado por Roberto Carlos no dia 24 de maio de 2026, durante a Solenidade de Pentecostes, na Catedral Diocesana de Jacarezinho.
Na ocasião, a Catedral recebeu a breve visita do Cardeal Dom Raymundo, que esteve presente na missa das 18:30h.
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