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Entre algoritmos e pessoas: como preservar a comunicação humana

18 May
,
2026
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O Irmão Jorge Sierra, delegado da Pastoral La Salle na Espanha e em Portugal, reflete sobre a mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais e destaca a necessidade de preservar a dimensão humana diante dos desafios da Inteligência Artificial. A partir da experiência na pastoral educativa lassalista, são promovidas iniciativas de formação, discernimento e acompanhamento para fomentar uma comunicação mais ética, crítica e próxima.

Sebastián Sansón Ferrari - Vatican News

Em um contexto marcado pelo avanço acelerado da Inteligência Artificial e a crescente presença na vida cotidiana, a mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026, celebrado neste domingo, 17 de maio, Solenidade da Ascensão do Senhor, ressoa com especial força no âmbito educacional. Sob o lema “Preservar vozes e rostos humanos”, o Pontífice convida a não perder de vista a centralidade da pessoa diante de uma tecnologia cada vez mais poderosa e onipresente.

Para o Irmão Jorge Sierra, delegado da Pastoral La Salle na Espanha e em Portugal, as palavras do Papa respondem “de forma muito adequada” a uma necessidade urgente do nosso tempo. “Cuidar do que nos torna verdadeiramente pessoas e não nos deixarmos levar por uma tendência que desumaniza, pois coloca a tecnologia no centro, tão aparente, mas desprovida de alma”, afirma em entrevista à Rádio Vaticana - Vatican News. Professor de ciências e dedicado há anos à pastoral juvenil, o religioso reconhece que a Inteligência Artificial já faz parte do universo cotidiano dos jovens, que são “nativos tanto do mundo digital quanto do uso da inteligência artificial”.

Um desafio antropológico antes de tecnológico

Leão XIV adverte em mensagem que o grande desafio atual não é meramente tecnológico, mas profundamente antropológico. Segundo o Irmão Sierra, essa reflexão vai ao cerne da questão: evitar tanto a rejeição indiscriminada da tecnologia quanto uma aceitação acrítica que acabe desumanizando as relações. “A Inteligência Artificial pode fazer o que é repetitivo, mas o acompanhamento, a relação próxima e o anúncio do Evangelho não podem ser substituídos por nenhum algoritmo”, afirma.

O religioso ressalta que a educação cristã deve reforçar precisamente aquilo que a tecnologia não pode replicar: a proximidade humana, a escuta, o discernimento e a experiência da fé vivida em comunidade. “Talvez nossas forças devam se concentrar mais na relação pessoal para ajudar a relação pessoal com Jesus. A Inteligência Artificial sempre será um meio, nunca um fim”, acrescenta.

Educar para um uso crítico da IA

Nas escolas de La Salle, a irrupção da Inteligência Artificial já está transformando as dinâmicas educacionais. Longe de optar pela proibição, o instituto busca acompanhar alunos e professores em um uso crítico e responsável dessas ferramentas. “Sabemos que os alunos a utilizam. Não se trata de proibí-la, mas de educar para saber utilizá-la”, explica Sierra.

Isso implica também rever os métodos pedagógicos tradicionais. Atividades que antes avaliavam a capacidade de resumir ou compilar informações perdem sentido em um contexto em que a IA pode realizá-las automaticamente. O desafio, aponta ele, passa agora por fomentar a compreensão, a assimilação e a aplicação criativa dos conhecimentos. “A escola e a sociedade estão tendo que se adaptar a uma mudança de época que nos pegou um pouco de surpresa”, reconhece.

Jovens hiperconectados e a necessidade de discernimento

O Irmão Sierra observa que muitos jovens utilizam ferramentas de Inteligência Artificial com total naturalidade, quase sem questionar suas implicações éticas ou culturais. “Eles têm o aplicativo instalado no celular e, quando não sabem algo, consultam-no imediatamente”, comenta.

No entanto, ele adverte que nem mesmo os adultos estão ainda plenamente conscientes de todos os riscos associados, especialmente aqueles ligados à manipulação da informação, aos vieses algorítmicos e à redução da pessoa a meros dados de consumo. Nesse contexto, ele considera indispensável o papel do educador cristão como mediador crítico, capaz de oferecer uma visão centrada no Evangelho e na dignidade dos mais vulneráveis.

“Não somos um algoritmo”

Durante a entrevista, o delegado recordou uma expressão recente de Leão XIV: “não somos um algoritmo, somos um desejo”. A frase resume, em sua opinião, um dos grandes desafios contemporâneos: resistir à tentação de reduzir a identidade humana a um acúmulo de dados, preferências e padrões de consumo gerenciados por sistemas automáticos. “Somos muito mais: somos desejo, compromisso e vontade, e isso a tecnologia nunca poderá superar”, sustenta.

Voltar à vida real

Em consonância com o pensamento do Papa, o religioso considera urgente ajudar os jovens a recuperar espaços de vida autenticamente humanos, para além das telas. “Precisamos voltar à vida real, à amizade, ao encontro, até mesmo a perder tempo com os amigos”, afirma.

Embora reconheça o enorme potencial da tecnologia, ele insiste na necessidade de promover uma certa “sobriedade digital”, especialmente em áreas como a oração, a liturgia ou a vida interior:

“A arte, a criatividade e o compromisso são plenamente humanos. A Inteligência Artificial deveria nos ajudar a ser mais humanos, não a substituir nossa humanidade.”

Jovens se preparam para o encontro com o Papa na Espanha

Nessa mesma linha de formação e acompanhamento, o Irmão Jorge Sierra destacou também a preparação que os lasallistas realizam junto a grupos de jovens para participar da vigília de oração presidida pelo Papa Leão XIV durante a viagem apostólica à Espanha, prevista para os dias 6 a 12 de junho. A partir de escolas, universidades e obras educacionais de toda a Espanha e Portugal, a rede La Salle promove encontros, momentos de oração e espaços de reflexão para ajudar os jovens a viver este evento como uma experiência de fé e de comunidade.

O delegado da Pastoral explicou que cerca de 300 jovens lasallistas participarão das atividades previstas em Madri, enquanto outros grupos se juntarão em Barcelona e nas Ilhas Canárias, coincidindo com as diferentes etapas da viagem pontifícia. Além da logística de acolhimento, hospedagem e acompanhamento, o objetivo é que a visita do Papa se integre a um processo mais amplo de crescimento pessoal, discernimento vocacional e compromisso solidário. “Esperamos que este encontro com o Papa Leão seja uma experiência que ajude os jovens a se encontrarem, a descobrirem seu lugar no mundo e a fortalecerem seu desejo de servir”, afirmou.

Fonte/Vatican News

Foto/Canva IA

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