A redução das rotas dascompanhias aéreas não está aliviando a vida dos pilotos brasileiros — estápiorando. É o que diz Paulo Licati, porta-voz da Abrapac, associação dospilotos de aviação civil. Segundo ele, quando as empresas cortam voos, acabamcolocando mais horas, mais etapas e horários mais irregulares nas costas demenos profissionais. Ou seja: menos voos, mas mais pressão sobre quem aindaestá voando.O querosene de aviação dobrou de preço depois que os EUA entraramem guerra com o Irã, um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Com isso,as aéreas precisam ser mais eficientes com menos dinheiro — e quem paga a contasão os pilotos, na avaliação de Licati.Em maio, mais de 2.800 voos foramcancelados. Para junho, a previsão da Anac é de mais de 3 mil cancelamentos.AAnac permite até 14 horas de trabalho por dia para os aviadores. Licati afirmaque essa regra é ilegal e fere normas internacionais. Ele cita dados do Sipaermostrando que entre 8% e 12% dos acidentes da aviação civil brasileira naúltima década envolveram fatores humanos ligados à fadiga. No cenáriointernacional, o NTSB aponta que 20% a 30% dos acidentes têm contribuição dafadiga. Na Europa, 14% dos pilotos relataram ter adormecido durante o voo.OMinistério Público do Trabalho reuniu provas de que pilotos estão voando comfadiga crônica, com comandantes relatando exaustão que já interfere nasegurança.
Fonte: Metrópoles
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